Blog · Sobre a terapia
O que acontece na primeira sessão de terapia
Marcar a primeira sessão costuma ser a parte mais difícil. Depois de decidir, vem a dúvida: e agora, o que eu falo? Preciso chegar com um assunto pronto? Este texto é para tirar o mistério do primeiro encontro.
Você não precisa saber por onde começar
Uma das perguntas que mais escuto é “e se eu não souber o que dizer?”. É mais comum do que você imagina, e não é um problema. Não existe jeito certo de começar. Às vezes a terapia começa exatamente aí: na dificuldade de nomear o que se sente.
Você pode chegar com uma questão clara — uma decisão, uma angústia específica — ou apenas com a sensação de que algo não vai bem. Os dois pontos de partida são válidos.
O que costuma acontecer no primeiro encontro
A primeira sessão é, antes de tudo, um espaço para você contar o que traz você até ali, no seu ritmo e nas suas palavras. Eu vou fazer algumas perguntas para compreender melhor o seu momento, e você também pode fazer as suas — sobre como trabalho, sobre a abordagem, sobre o que esperar.
É também quando conversamos sobre o funcionamento prático: frequência, horários e valores. Nada disso fica no ar. A ideia é que você saia do primeiro encontro entendendo como o processo funciona.
Não existe continuidade automática
Este ponto costuma aliviar quem chega com receio: depois da primeira conversa, você decide se quer seguir. Não há continuidade automática nem pressão para fechar um pacote. Você avalia se fez sentido — se sentiu que pode confiar, se quer continuar — e não há problema nenhum em levar alguns dias para decidir.
Terapia se sustenta na relação, e relação não se impõe. Essa decisão é sua.
Se fizer sentido, a regularidade entra em cena
Quando a escolha é seguir, definimos juntos um horário fixo, uma vez por semana. A regularidade não é burocracia: é ela que transforma encontros soltos em um percurso. É na continuidade que as coisas vão ganhando forma.
Terapia não é só para quem está “muito mal”
Vale desfazer um último mal-entendido. Muita gente procura terapia em um momento de crise, mas muita gente chega por outras portas: uma transição, uma decisão difícil, a vontade de se conhecer melhor. Não existe um nível de sofrimento “suficiente” para merecer cuidado.
Se algo aqui fez sentido, o primeiro passo é simples — e você não precisa chegar com nada pronto.
Natália Pozzatto é psicóloga (CRP 16/3991), especialista em Psicologia Analítica, com mais de 10 anos de prática clínica. Atende adultos no consultório em Vitória — ES e online, no Brasil e no exterior. Conheça a trajetória →
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